*MÃE DO NILO: CLEÓPATRA VII*
Mãe Faraó,
Não de leite e ninar,
Mas de cetro e mar.
Teu colo era o trono do Egito,
Teus braços, as margens do Nilo infinito.
Ensinaste aos teus filhos o peso da coroa
Antes do peso do corpo.
Em vez de canção de ninar,
Hinos em grego, demótico, latim.
Nove línguas na boca,
Uma só ambição no peito:
Que Alexandria nunca dormisse órfã.
Mãe que pariu impérios
E os embalou entre Roma e o deserto.
Que trocou o abraço pelo tratado,
O beijo pelo grão,
Porque sabia:
Filho com fome não herda reino,
Só herda areia.
Choraste em segredo, Rainha?
Quando Cesarião te olhou
E viu deusa, não mãe?
Quando o áspide foi mais doce
Que ver teu sangue curvado a Roma?
Não morreste, Cleópatra.
Mãe-Faraó não morre.
Te fizeste lenda
Pra que nenhum filho teu
Esquecesse que nasceu
Do rio, do sol, da última coroa
Que ousou desafiar o mundo.
Teu útero gerou reis.
Tua queda, gerou eternidade.
E hoje, mãe de pedra e papiro,
Ainda embalas o Egito
No balanço do teu nome.
Thomaz Décio Abdalla Siqueira ⚘️







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