SÁBADO. Margarete não gosto dos sábados, sabem a despedidas. tu ao menos ainda te podes sentar a ver as tuas gaivotas, eu não tenho gaivotas e a maré, hoje forte, afoga-me as memórias. um jeito sereno de dizer poesia, se poesia precisar o corpo. a espera é tranquila, almejar um mundo inteiro com os sonhos na algibeira. queria dizer-te não vás mas sei que é teu o destino de ir. mas não vás triste, um dia as caras encontrarão os seus corpos, hoje ainda não. não gosto deste sábado. amanhã o meu irmão faz anos, dar-lhe-ei um abraço que constrúa uma ilha, que ele saiba de ti e desta semana, de como em mim criaste barcos. não te vou procurar, prometo-te, guardo apenas de ti a semana passada, duas bocas a entenderem dois ouvidos, quase gastos de palavras ocas. se te disserem de mim a distância conta-lhes do absurdo que é julgar o sentimento pelo que separa os corpos. havemos daqui voltar, a esta praia, é disto que se faz a história, ainda que ninguém nela caiba, por ser já tão nossa. e aqui voltando saberemos de nós, partidos na metade de tempo onde fomos um do outro.

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